A Peugeot do Brasil e a EuroRSCG anunciaram no começo da tarde desta quarta-feira, 18, que decidiram suspender a veiculação da campanha de varejo da montadora. A campanha estreou no final de semana com uma sátira à ministra Marta Suplicy. Seu segundo filme, que tinha como mote o caos aéreo no País (leia aqui), entrou no ar nesta terça-feira, 17, dia da tragédia. Acompanhe a nota, na íntegra:
“Em razão do trágico acidente aéreo ocorrido terça-feira, dia 17, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a Peugeot do Brasil e a Euro RSCG Brasil decidiram retirar do ar hoje a campanha de varejo da marca, que chamava a atenção para o problema da crise aérea brasileira. Consternados com a tragédia e em respeito às vítimas do acidente e seus familiares, as empresas preparam uma nova campanha, que deve entrar em veiculação nesta quinta-feira, dia 19″.
Bem, não sou de comentar muito o trabalho alheio, por mais que eu tenha vontade. Essa “decisão” da agência + cliente em tirar a campanha do ar, não foi apenas por causa da fatalidade em Congonhas. A coisa é mais embaixo e não sei o quanto é verdade ou não. Apenas reproduzo coisas que li.
O primeiro filme da tal campanha da Peugeot, no domingo, tirava uma onda com a ministra/sexóloga/cara de botox Marta Suplicy, que falava assim “Para que ficar sofrendo em aeroporto? Gente, relaxa e compra”, uma alusão ao infeliz (leia-se estúpido) comentário dela sobre a crise aérea. A agência, de onde eu conheço um bom pessoal, de extrema criatividade, se aproveitou disso e criou a tal campanha, sugerindo para aqueles que não querem viajar de avião, que perdiam tempo e ficavam desconfortados em saguões dos aeroportos, que comprassem um carro e pudessem relaxar.
Ao que tudo indica, o presidente cara de sapo que a maioria elegeu (eu não, nunca!), ficou puto com essa história e “pediu” que a agência retirasse do ar tal campanha. E isso saiu no O Globo:
A Peugeot retirou do ar sua nova campanha publicitária, que usava como mote a crise aérea e a famosa frase “relaxa e goza”, da ministra do Turismo, Marta Suplicy. Longe de seguir apenas critérios comerciais, segundo executivos da montadora, a decisão saiu sexta-feira após a direção da fabricante de veículos ter sofrido pressão do governo, que se disse insatisfeito com a exposição negativa da ministra.
Segundo notícia veiculada ontem no site do Clube de Criação de São Paulo, o motivo seria um pedido à montadora feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto, porém, negou que Lula tenha feito qualquer gestão junto à Peugeot sobre o anúncio.
Aí eu pergunto: liberdade pra que? Retrocedemos 40 anos no tempo, voltando a um governo militar e autoritário? Mas quem errou, aquele que pediu para tirarem ou a Peugeot que aceitou tal decisão?
Arquivado em: Uncategorized